terça-feira, 26 de julho de 2011

Conto - 2ª parte


No princípio eram conversas intermináveis à noite, no telefone. Ou madrugadas varadas por conversas on line.

Foram 3 visitas/encontros no primeiro mês. Mas de comum acordo chegaram a conclusão que deveriam se ver com menos frequência: Para ambos era difícil demais a despedida. Os dias que se seguiam a partida eram infinitamente doídos. A euforia da espera pela chegada desaparecia em um tufão de confusão varrendo a alegria e deixando saudade e depressão.

Para afastar tais sentimentos ruins, decidiram ocupar suas mentes. Ela se dedicou de corpo e alma ao trabalho e estudos. Ele meteu a cara no trabalho, horas e mais horas extras. Dessa forma o tempo ocioso para pensar um no outro ficou escasso, em contra-partida, o tempo para se ver e se falar também.

Foi gradativo e de certa forma natural: as conversas entre ligações e bate-papos via Net já não eram constantes. Se viam cada vez menos até que simplesmente deixaram de se ver.

E foi também de comum acordo que decidiram oficializar o fim de tudo. Nada verbalizado. Eram tão conectados que pressentiam o que havia no coração um do outro.

Marcaram o local, uma pizzaria no Centro da cidade, antes muito frequentada pelo casal. Sentaram-se a mesa, não mais lado a lado, mas sim um de frente ao outro. Falaram por horas de amenidades, mas o assunto sério foi ela quem começou.

_Você sabe por que estamos aqui, né?

A frase deixou-o desconfortável, quase irritado.

_Sei sim. É pra terminar algo que não teve meio.

_Você partiu, me deixou aqui e foi embora. Foi embora sem pensar...

O sangue dele ferveu. Repuxou a boca para a esquerda como sinal de reprovação como sempre fizera-ela bem conhecia aquele sinal. Mexeu-se na cadeira e passou a mão pelos cabelos cacheados.

_Não diz isso-a interrompeu-você sabe que tive que me mudar por minha profissão. É o meu trabalho! Você não quer me ver feliz e realizado na vida?

_A diferença é que se fosse comigo, eu não teria tomado essa decisão sem incluir você, sem ao menos consultar você, porque você me faria feliz e realizada na vida.

Ele nada disse, apenas baixou a cabeça e fixou o olhar em seu celular sobre a mesa. E depois de um tempo:

_Você não entende!

_Eu entendo, mas não aceito. Só isso!

_Não queria que terminasse assim. Não queria que tivesse que terminar.

_Nem eu.

Ficaram em silêncio mais alguns segundos até que ele o quebrou:

_Você pode não acreditar, mas eu vou continuar amando você.

Ela se levantou, postou-se serena de pé ao lado dele na cadeira e abriu os braços.

Ele também se levantou e completou o abraço. Ah, aquele abraço que ele bem conhecia, quente, acolhedor, amoroso e ao mesmo tempo sensual. Ela sentiu o cheiro do perfume dele inebriante, mexendo com sua cabeça, seus pensamentos, então disse ao seu ouvido:

_E você pode não acreditar, mas vou continuar te esperando.

Foi num relance que ele viu as lágrimas correndo por seu rosto claro, pois ela se afastou rapidamente. E como aquele dia na rodoviária, foi-se embora sem olhar para trás.

Ele permaneceu ali, sentado, vendo-a se afastar, saindo pela porta e não mais ouviu falar dela.

Continua...

3 comentários:

  1. aaahhhh =/
    q tristeeeeeee
    triste mais mto bonito
    descrição de cada cena da p mimaginar direitim
    fiquei aflito aki
    shaushaushahu'


    proximo!!!!!!!!!

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  2. Uhuull

    mais misterioso...

    q guarda essa cabecinha em?
    :)

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  3. Clap... Clap.. clap!

    Qro mais, qro mais, qro mais!

    =)

    Mto bom, Juh!

    Parabéns novamente!

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