segunda-feira, 18 de julho de 2011

Conto


Eles chegaram ao portal de embarque da rodoviária. Ambos em silêncio. Ela, cabisbaixa, não permitia que ele visse seu rosto triste e seus olhos úmidos. Ele, com aquela feição séria, a boca meio repuxada de lado, chateado, pois sabia que ela estava prestes a chorar.

Em seguida foi o ônibus que chegou. O assistente desceu e começou a pegar as malas dos viajantes para colocar no bagageiro. Ele abaixou-se para pegar a mala no chão, ela apertou sua mão o máximo que conseguiu. Ele deixou a mala no chão novamente e a abraçou. As lágrimas desceram quentes e ágeis pelo rosto dela, que deu um suspiro doído. Ele a apertou mais forte contra o peito, cheirou seus cabelos e os beijou.

Ficaram assim por alguns segundos. Mas voltaram a realidade. Ele vagarosamente a soltou, tornou a apanhar a mala e, ainda segurando sua mão, caminhou até o bagageiro do ônibus. Só faltava sua mala que foi prontamente entregue ao assistente. Enquanto a mala era guardada, ele olhou no rosto dela, molhado de lágrimas, nariz e olhos vermelhos. Segurando seus ombros:

_Eu te amo!

_Eu também. - disse engasgada.

_Então pare de chorar.

Ela simplesmente acenou que não com a cabeça. Ele a segurou forte mais uma vez ((a última vez?)) entre seus braços:

_Não vou deixar de te amar.

Ela o encarou, tentou sorrir, mas só saiu mais choro. O beijou mais uma vez ((a última vez?)), se afastou e não olhou para trás.

Ele entrou no ônibus, sentou-se em sua cadeira e pela janela a viu indo embora. Baixou o rosto sobre as palmas das mãos e chorou.

Continua...

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